Arquivo mensal: maio 2014

O tal do mercado de trabalho

 

Outro dia participei de um processo seletivo para a vaga de  recepcionista em uma escola no bairro Serra em Belo Horizonte. Simultaneamente  foi realizada uma triagem para uma vaga de auxiliar administrativo. São duas carreiras que exigem conhecimento na área específica, mas não exigem necessariamente um curso superior. A sala estava cheia, lotada para ser exata com pessoas dos mais variados tipos e idades, mas uma coisa em comum: TODAS POSSUÍAM CURSO SUPERIOR OU ESTAVAM SE FORMANDO! E eram formadas nas mais diversas áreas: Letras, Turismo, Administração, Psicologia, Gestão Pública e Comunicação Social. Isto me deixou impressionada! Nunca fui a uma entrevista para um emprego de nível médio em que todos os candidatos fossem graduados. Isto me deixou extremamente preocupada e a pensar duas coisas:

Primeiro- O que antes era um diferencial positivo ( ter curso superior ) passou a ser só mais um ponto comum.

Segundo- Porque aqueles profissionais que um dia sentiram a alegria de pegar o tão sonhado diploma, que passaram anos estudando em ótimas faculdades estavam ali lutando ( bravamente) por uma vaga fora da sua área de formação e ainda por cima com um salário baixo? Ou os que ainda estavam estudando porque não estavam fazendo estágios para se preparar melhor para o mercado de trabalho?

Acredito que estes questionamentos podem ter muitas respostas. Mas quero tentar algumas aqui.

Primeiro- O ensino superior no Brasil foi banalizado com a abertura sem limites de faculdades e cursos. fazer uma graduação hoje está muito mais fácil, inclusive com a oferta de bolsas de estudos. O que de um lado possibilita a entrada de mais pessoas na universidade, de outro cria uma massa de pessoas com diploma na mão e nenhum emprego, afinal, a abertura de postos de trabalho não acompanhou essa “democratização do ensino superior” brasileiro.

Segundo- Muitas pessoas ainda escolhem a profissão que vão seguir pensando unicamente na questão financeira e não pensam que trabalhar com aquilo que não se gosta é um martírio tão grande quanto estar casado com quem não se ama só por interesse.

Terceiro- Muitos estudantes saem da faculdade sem fazer estágio porque precisam trabalhar para se sustentar e também ajudar em casa. Isto faz com que a pessoa saia da universidade sem nenhum conhecimento prático da profissão e portanto, um profissional incompleto e que pode inclusive se dar conta depois de formado que escolheu o cursos errado. Se ele tivesse feito um estágio logo que entrou, poderia ter mudado de curso.

Quarto- Não fazer uma faculdade não é o fim do mundo. Muitas pessoas são felizes e muito bem sucedidas em empregos que muitos consideram menos importantes. Eu hoje digo que é muito melhor ser feliz ganhando um salário mínimo do que manter  a pose de barriga vazia.

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A personalidade controversa de Willy Wonka

O filme A Fantástica Fábrica de Chocolate original estreou em 1971 e ganhou uma versão em 2005  dirigida por Tim Burton e estrelada por Johnny Depp. O filme mais recente nos faz pensar um pouco sobre os possíveis fatores que levaram Willy Wonka a criar uma fábrica de chocolates e ser tão excêntrico. Filho de dentista ele nunca podia comer doces e ainda teve que usar um aparelho  horrendo. Assim eu imagino que a fábrica seja um meio de compensar esta vontade infantil, de superar este trauma. Afinal, qual criança não gosta de doces? Eu mesma me enchia deles e não perdia uma oportunidade de ir a venda do Seu Zé e gastar todos os trocadinhos que ganhava diferente do menino Wonka que apesar de ser rico, não podia matar sua vontade infantil.

Encontrei um artigo muito interessante no blog Pelotas, Capital Cultural ( não achei o nome de quem escreveu) que faz uma análise da personalidade de Willy Wonka na versão de Tim Burton:

“O filme levanta uma hipótese: Como o obsessivo pai de Willy proibiu-lhe comer todo tipo de doces para não ter cáries, gerou no filho simultaneamente um acelerador e um freio: uma urgência por se libertar da tirania do pai e uma raiva que o impede de amadurecer”.

O artigo vai mais além, pois nos mostra a personalidade dúbia de Wonka, que por uma lado, quer se redimir de seus traumas da infância dando a Charlie, um menino pobre, a oportunidade de ter uma fábrica de chocolates só para ele. Porém, por outro lado, ele é um controlador, exatamente como o pai, que manipula tudo a sua volta dando lições de moral nos pais das crianças escolhidas para conhecer a fábrica. Todos, exceto Charlie são mimados e sem limites e apenas o menino de bom coração não é punido.

Moral da história segundo o artigo:” Para libertar-se, Willy deverá achar uma criança idealista e livre, sem pais manipuladores” exatamente da forma que ele gostaria de ter sido.

Leia o artigo na íntegra em: http://pelotascultural.blogspot.com.br/2009/08/psicanalise-de-uma-fabrica-de-chocolate.html

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