Edward Mãos de Tesoura

Imagine alguém que fosse muito, muito diferente dos outros? Alguém que tivesse nascido ou melhor, tivesse sido criado com mãos de tesoura? Isso mesmo, tesouras no lugar das mãos. Assustador não é?

Pois esta é a história de Edward Mãos de Tesoura ( Tim Burton, 1990). Edward foi criado por um inventor talentoso, mas que não teve tempo de terminar sua obra e colocar as mãos, pois morre antes disto. Desta forma, sua criatura de mãos de tesoura acaba ficando sozinho em uma mansão velha e abandonada. O papel do “pai” de Edward foi feito pelo ator Vincent Price, um dos mais expressivos rostos dos filmes de terror, sobretudos  naqueles baseados na obra de Edgar Allan Poe. Este foi o último papel do ator no cinema.

Lembro de morrer de medo do Johnny Depp . Quando assistia o filme, ia dormir olhando embaixo da cama para ver se não tinha nada lá. Mas hoje percebo a complexidade que está por trás desta estranha criatura. Edward sofre por ser diferente, por não se enquadrar nos padrões da sociedade. Sofre mais ainda por não poder ter sua amada ao seu lado.  Ele se apaixona por Kim, uma patricinha popular interpretada por Winona Ryder, com apenas 19 anos na época.

Burton  ironiza uma uma sociedade careta, que dá muito mais valor a aparência do que ao caráter. Dianne Wiest interpreta uma vendedora da Avon, que na expectativa de vender produtos na mansão acaba encontrando Edward morando sozinho e leva-o para sua casa. O que pode representar mais o ideal de mulher eternamente jovem e bela do que a Avon, um dos ícones da sociedade de consumo americana? Vemos neste filme, uma vendedora tentando disfarçar as cicatrizes de Depp com os “maravilhosos” produtos da Avon. Ironia pura de Burton.

Este filme porém nos ajuda a aprender a aceitar quem é diferente, a desconstruir padrões de beleza. Afinal, o que é belo? Feio é o rosto de Edward e belas são as atitudes preconceituosas das pessoas ao redor dele? Penso que é o contrário.

Edward Mãos de Tesoura, um filme sensível, tocante e que está entre os 1001 Filmes para ver Antes de Morrer ( página 791).

 

” É  Depp quem mais impressiona, criando um personagem preso em seu corpo incompleto e transmitindo, em poucas palavras, a frustração de Edward- seu rosto pálido e marcado por cicatrizes demonstra o sofrimento de descobrir que até o toque mais suave de suas mãos de tesoura pode causar dor. Um conto de fadas moderno, ambicioso e belamente concebido.” ( 1001 filmes, página 791)

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Sobre Uma Jornalista

Formada em Jornalismo pela PUC Minas em 2011.

Publicado em julho 27, 2013, em Uncategorized e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Raquel, concordo com você. Definitivamente, esse é um filme que precisamos assistir criticamente. Analisando-o como um iceberg, onde o mais importante não é o que é visto, mas o que esconde-se por trás da história. Abraço

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